O julgamento que resultou na formação de maioria — 5 a 0 — no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para cassar o mandato do vereador Diego Santos Rodrigues (PSD), o Diga Diga, abriu um novo e decisivo capítulo na política de Itapetinga. Embora a decisão já esteja tomada no mérito, o cenário ainda não está totalmente definido: o desfecho depende da publicação do acórdão e, sobretudo, da análise dos embargos de declaração, recurso previsto em lei e utilizado para esclarecer pontos específicos da decisão.
Do ponto de vista jurídico, os embargos de declaração são fundamentais nesse momento. Eles podem definir, de forma precisa, se os votos de Diga Diga serão ou não anulados — e essa é justamente a questão que pode levar à reconfiguração do quociente eleitoral e, consequentemente, à mudança do partido que herdará a cadeira deixada pelo vereador cassado.
Caso o TSE confirme a anulação dos 657 votos atribuídos a Diga Diga, o novo cálculo do quociente eleitoral altera o cenário. A projeção técnica apresentada aponta que, com a exclusão desses votos, o coeficiente passa a ser de 2.011. Nessa configuração, o PSB — que obteve 2.023 votos — passa a deter direito à vaga. Isso colocaria o ex-vereador Gegê de volta à Câmara Municipal.
Gegê, figura política experiente e reconhecida na base do prefeito Eduardo Hagge, representa não apenas uma recomposição numérica no Legislativo, mas um reforço estratégico para o governo. Considerado um defensor leal da gestão, sua eventual posse seria interpretada como um ganho substancial para o prefeito, ampliando o campo de apoio em um momento crucial para a governabilidade.
Por outro lado, se os votos de Diga Diga forem mantidos como válidos — mesmo com a cassação —, a legislação eleitoral determina que a vaga permaneça com o partido, beneficiando o suplente imediato do PSD, Valdeir Chagas.
O suspense persiste, e todos os olhares se voltam agora para a publicação do acórdão e para os esclarecimentos que virão nos embargos. Até lá, permanece aberta a possibilidade real e juridicamente amparada de que Gegê, apoiador fiel do Governo Hagge, retorne à Câmara e altere o equilíbrio político da Casa.
A expectativa é grande — e com razão.





