Escola Dona Geni realiza aula de campo em Vitória da Conquista e fortalece as escrevivências no Seminário de Cultura Afro 2026

0

Educação, memória, ancestralidade e território: uma experiência pedagógica para além dos muros da escola.

Entre os dias 29 de setembro e 13 de outubro de 2026, os discentes dos 9°anos da Escola Dona Geni, do Distrito de Bandeira do Colônia, participaram de uma significativa aula de campo em Vitória da Conquista, Bahia, como parte das atividades preparatórias do Seminário de Cultura Afro 2026, que tem como eixo temático as escrevivências.

A atividade foi coordenada pelo professor João Taylle, responsável pela disciplina de Cultura Afro-Brasileira e Indígena, e teve como um de seus principais objetivos ampliar a compreensão dos estudantes sobre a relação entre literatura, memória, história, identidade e território. A experiência foi desenvolvida por meio de uma parceria entre a Escola Dona Geni, a Casa Museu Regional Henriqueta Prates e a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), unindo esforços em favor de uma educação comprometida com a valorização da história e da diversidade cultural.

Escrevivências: aprender com as memórias e as experiências históricas

Inspirada no pensamento da escritora Conceição Evaristo, a proposta das escrevivências convida-nos a compreender a escrita como um espaço de expressão das experiências individuais e coletivas, das memórias, das identidades e das histórias que, por muito tempo, foram silenciadas ou pouco valorizadas.

Nesse contexto, conhecer a trajetória de Dona Henriqueta Prates e visitar o espaço museológico dedicado à sua memória tornou-se uma oportunidade de aproximar os estudantes dos vestígios materiais e simbólicos do passado. A visita à Casa Museu Regional Henriqueta Prates permitiu ampliar as possibilidades de reflexão sobre a preservação da memória, o patrimônio cultural e a importância de reconhecer as diferentes vozes que constituem a história regional.

Mais do que conhecer um museu, os estudantes foram convidados a perceber que os espaços de memória guardam histórias, experiências e representações de uma sociedade. A atividade também estimulou questionamentos sobre quem registra a história, quais personagens recebem destaque e como a educação pode contribuir para tornar visíveis diferentes sujeitos históricos.

É importante compreender que a trajetória de Dona Henriqueta Prates pode ser estudada a partir de suas experiências, de seu contexto histórico e das memórias relacionadas à sua atuação. A aproximação com o conceito de escrevivência, por sua vez, constitui uma possibilidade de leitura pedagógica dessas memórias, sem desconsiderar as particularidades da vida da personagem e o sentido original do conceito desenvolvido por Conceição Evaristo. O roteiro pedagógico também contemplou importantes espaços históricos e culturais de Vitória da Conquista. Os estudantes conheceram a Praça Tancredo Neves, visitaram a Casa museu do Ex Governador Régis Pacheco, Catedral Nossa Senhora das Vitórias e percorreram a tradicional Rua Grande, visita ao Cristo Mário Cravo, e outros pontos turísticos da cidade, reconhecendo esses lugares como partes da construção histórica, política, social e cultural da cidade.

A passagem pela praça que integra o centro histórico da cidade abriu espaço para reflexões sobre narrativas relacionadas à colonização do território e à violência praticada contra os povos indígenas. Entre essas narrativas, encontra-se o relato do chamado banquete do envenenamento, associado à morte de indígenas dos povos historicamente mencionados na região, como Mongoiós, Aimorés, Emborés e Camacãs.

O contato com esse relato possibilitou discutir a importância de investigar criticamente as fontes históricas, compreender os processos de ocupação territorial e reconhecer a resistência dos povos originários. Ao abordar episódios de violência colonial, a escola reafirma o compromisso com uma educação que não apague as experiências indígenas nem naturalize as injustiças históricas.

Outro momento importante foi o contato com o monumento dedicado à figura indígena, que possibilitou ampliar as reflexões sobre representação, identidade e memória pública. Afinal, os monumentos também comunicam versões da história, revelam escolhas de uma sociedade e podem suscitar perguntas sobre a presença, a participação e o reconhecimento dos povos indígenas na formação regional.

A aula de campo como prática de uma educação antirracista, demonstrou que o processo de ensino e aprendizagem não se limita ao espaço da sala de aula. Ao caminhar pelas ruas, observar monumentos, visitar instituições e conhecer espaços de memória, os estudantes passam a estabelecer relações entre os conteúdos estudados e os lugares onde a história se constrói, é preservada e também disputada.

A aula de campo contribuiu, assim, para o desenvolvimento do olhar crítico, da curiosidade histórica e do sentimento de pertencimento. A história deixou de ser apenas um conjunto de informações presentes nos livros didáticos e passou a ser percebida nos espaços, nas narrativas, nos patrimônios e nas memórias que compõem a vida coletiva. A iniciativa também dialoga com os princípios da educação para as relações étnico-raciais e com a importância de se estudar a história e a cultura afro-brasileira, africana e indígena de maneira contextualizada, crítica e comprometida com o enfrentamento ao racismo e à discriminação.

É assim as parcerias, transformam a educação, evidencia a importância do diálogo entre escola, museu e universidade. A parceria entre a Escola Dona Geni, a Casa Museu Regional Henriqueta Prates e a UESB fortalece a construção de experiências educativas que aproximam os estudantes do patrimônio cultural, ampliam seus repertórios e estimulam novas formas de compreender a história. Quando instituições educativas e culturais compartilham conhecimentos, criam-se oportunidades para uma aprendizagem mais significativa, participativa e conectada com a realidade. Essa articulação demonstra que a formação dos estudantes é uma responsabilidade coletiva e que a valorização da memória deve fazer parte de um projeto educacional comprometido com a cidadania e a diversidade.

A aula de campo realizada em Vitória da Conquista representa mais uma etapa da construção do Seminário de Cultura Afro 2026 da Escola Dona Geni. Ao relacionar a proposta das escrevivências com a visita à Casa Museu Regional Henriqueta Prates a escola reafirma que educar também significa ensinar a observar, questionar, escutar e registrar as histórias que constituem nossa sociedade.

Afinal, uma educação comprometida com a memória não se limita a conhecer o passado: ela nos ajuda a compreender o presente e a construir outros futuros possíveis.

A Escola Dona Geni agradece às instituições parceiras pela colaboração e pela oportunidade de proporcionar aos estudantes uma experiência de aprendizagem que ultrapassa os limites da sala de aula e fortalece o compromisso com a história, a memória, a diversidade cultural e a educação antirracista.

Escola Dona Geni — educar é também preservar memórias, reconhecer histórias e construir futuros. Agradeço as colegas que também acompanharam esses dias as professoras Gal Almeida e Alice Diniz. E em especial a toda equipe do museu que todos os anos nos recebem com carinho e atenção, na pessoa do coordenador do museu Anderson Marcena e Ilana, juntamente com os demais funcionários.

Essa aula de campo hoje faz parte da minha prática pedagógica na disciplina ao qual leciono com respeito, tolerância e responsabilidade. Agradeço a equipe gestora da Escola Dona Geni na pessoa de Daniele Xavier, que não mede esforços para que essa viagem todos os anos aconteça com êxito. Olhar cada rosto e enxergar a alegria dos meus alunos, isso sim me deixa realizado na profissão que fui designado a exercer. SER PROFESSOR!

Gratidão UESB, onde foi nessa instituição pública, que conseguir ser Pedagogo, que orgulho em dizer que sou filho desta casa.

 

Professor João Taylle

Disciplina de Cultura Afro-Brasileira e Indígena

Coordenação pedagógica da atividade de campo.

Feliz
Feliz
0 %
Sad
Triste
0 %
Excited
Animado
100 %
Sleepy
Sonolento
0 %
Angry
Nervoso
0 %
Surprise
Surpreso
0 %

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui